
À dias comprei a Visão, que tive o cuidado de deixar na pasta, para não ter a tentação de a ir ler, porque estava KO de cansaço e precisava de descansar. Já deitada, com os olhos cheinhos de brita, quase calhaus, não conseguia deixar de pensar na revista "escondida". Tive de me levantar, descer (implica subir) as escadas para ir buscar a revista. Obviamente que fui o caminho a pensar "estavas tão bem a dormir.... és tão parva...".
À custa desse meu vício, é velho o hábito de ter uma pilha de livros e revistas ao lado da cama. Mesmo que não os leia. Gosto de os ter lá...
Como a Sôdona Laura aprecia pouco este meu hábito, em dias de limpeza tenho sempre o cuidado de tirar a pilha de literatura em stand by do chão, para cima da cama. Ora, como o monte já tombava, este fim de semana perdi a cabeça e com muito custo (confesso), lá fiz uma selecção para reduzir o monte. Consegui tirar 3 Visões, 4 Sábado's e um livro, porque tinha visto o filme no dia anterior.
Durante o meu doloroso processo de selecção (tenho uma dificuldade enorme de me desfazer das coisas), folheio um livro que a minha Nês e o Jorge me ofereceram com receio que eu não gostasse. Não podiam ter escolhido melhor. Tem lugar cativo no meu monte desde então...
Eis que bato com olhos de ver no seguinte poema, que resolvi partilhar convosco, pelo simples facto de se manter actual...
"Passamos pelas coisas sem as ver, gastos,
como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos."
(Eugénio de Andrade)