segunda-feira, 12 de novembro de 2007


Saio do trabalho com vontade de chorar. As pessoas que passam na rua contrariam-me a vontade que quase teima em ser mais forte. A noite que já caiu ajuda a disfarçar o meu semblante. Chego ao carro e rebento. Choro. As lágrimas turvam-me o caminho. Falta pouco para chegar a casa… Tenho de chegar bem. Tento cantar com a Maria Rita, mas não consigo. Falta-me força. A dor que sinto, teima em permanecer. Corrói. Esforço-me por pôr em prática a palavra de ordem, mas não é fácil. Às vezes vou-me abaixo. Sou fraca.
Consigo jantar sem perder a compostura. Não os quero preocupar. Eles brincam e dizem parvoíces nitidamente para ver se eu me rio. Mas não dá. Puxam conversa, mas limito-me a responder com monossílabos. Os 27 anos permitem-lhes conhecer-me como a palma da mão. Também não é difícil “verem-me”… “És transparente” disse-me alguém um dia e eu senti-me nua. “És transparente” ecoou de tal forma na minha cabeça, que nunca mais me esqueci. Talvez essa pessoa tenha razão e também talvez por isso, eu sinta necessidade de pôr no “papel” aquilo que com certeza todos vêm. A minha tristeza.
Despacho-me o mais depressa que consigo para ver se consigo ficar sozinha. Sinto uma dor no peito. Acho que os dias em que me “portei bem”, acumularam as lágrimas que tentei não perder. A dor deve vir daí…
Assim que a porta de “cima” se fecha, começo a lavar a alma… Sinto-me mal. Um trapo. Há uma inquietude em mim perturbadora. Tento a todo o custo remar contra a maré. Tento a todo o custo manter a cabeça ocupada, para mascarar qualquer coisa que me anda a consumir. Estou cansada.
Sei que é uma etapa pela qual tenho de passar, por mais que me custe. E se custa… Mas estou farta de não conseguir dizer parvoíces. De não conseguir pregar partidas. De não me sentir bem. E enquanto não conseguir estar tranquila comigo própria, não conseguirei estar bem com os outros… Por isso, aqui fica o meu pedido de desculpas a todos quanto de uma forma ou de outra, me tentam ajudar. Se não “respondo” como gostariam (como eu gostaria) não é por má vontade. É mesmo porque não consigo… Acreditem. Obrigado.

4 comentários:

Celeste disse...

nº1 - Não se pedem descupas por não se poder ginchar de alegria com o apoio dos amigos (sim, ajuda mesmo... enfim, cada um por si, ajuda só de Deus, segunda mámãe).

nº2 - Chorar é terapêutico. E como diz o (sábio) povo, menos mijas.

nº3 - Também, a ouvir Maria Rita ou até a tentar fazer côro com ela... faz-me um favor!

nº4 - Tenho saudades tuas.

nº5 - Pá, é verdade que o um pingo de nostalgia na alma acentua a criatividade. Muito bem escrito! Na verdade, é algo lamentável que não tardes a rabear alegria por todo o lado, vai-te passar ao lado uma possível carreira de escritora/novelista/poeta :)

Celina disse...

É certo que num dia mais cinzento o mundo parece desabar sobre nós... é certo que as x nos sentimos como no meio de uma tempestade onde a achuva cai com tal intensidade que não nos deixa respirar em condições nem nos deixar ver o acminho a seguir e agarrados a nós pr´prios tremendo de frio ai vamos nós, olhos pregados no chão, como por instinto a tentar sobreviver a tamanha violência...
nesta tentativa de sobrevivência, não ouvimos, não vemos, tantas x nem sequer sentimos...nada do que te digam faz sentido e só a dor quer teima em queimar, como só o gelo frio da rejeição, da solidão, da perda sabe queimar, ecoa mais alto....
tens de ser tu a sair da tempestade... e isso demora o tempo que demora...
não peças desculpas...os teus amigos apenas podem estar em casa á tua espera para te secar com as suas toalhas e dar-te um melhoral...porque krida amiga, e eu já lá passei há bem pouco tempo, apenas TU podes vencer a tempestade..e não sairás dela sem sequelas..mas eu acredito que sairás mais e melhor pessoa!!! ( não sei quanto mais porque tu já és um espanto!!!!

gosto muito de ti!

Anónimo disse...

Amiga, parece que precisas de um estimulo, ou seja do picanço saudavel entre "saltadeira" e "barreireiro". Este ano tenho da fazer mais 10 cm do que tu na altura. Quem perder paga...as cotas do outro. Hein, grande ideia que tive para ver se não pago as cotas, isto se entretanto não me cair nenhuma perna.
Bjos e até qq dia.
Ass: um Anjo parecido com o outro

Maria Rita disse...

Anda
tira essa dor do peito, anda
despe essa roupa preta e manda
seu corpo deslembrar

Canta
vira dor pelo avesso
Canta
larga essa vida assim às tontas
Deixa esse desenganar

Calma
Dê o tempo ao tempo, calma
alma
Põe cada coisa em seu lugar
E o dia virá, algum dia virá
Sem aviso

então...


(Lambidela)