quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Jantávamos quando chegou. Sentou-se na sua cadeira, tirou a boina - com a qual tantas vezes brinquei, colocando-a ao contrário. “Oh ‘vô, assim é que fica giro!” – e apoiou-se com o cotovelo nas muletas companheiras de muitos anos. Sorridente, qual criança a quem tinham feito a vontade, disse “Hoje fartei-me de fazer km’s com o Zé!”. Adorava passear.
Passado um pouco, despede-se com um “até amanhã, vou para a cama”. Até amanhã, dissemos tranquilos e em uníssono.
Minutos depois corremos atrás do som seco que veio do quarto “dele”, mas em vão.
Continuo a ouvir as muletas, continuo a ouvir o som seco, continuo a vê-lo no quarto, continuo a vê-lo sentado no tronco, o seu banco de estimação que já não existe, na sombra da oliveira centenária. E hei-de continuar sempre.

Ia dormir, mas não teve tempo de adormecer. Partiu. Faz hoje um ano.

2 comentários:

eu disse...

muuu1

superior disse...
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